Trajetória do Espírito
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Em seu livro “Espiritismo e Exercício Mediúnico”, o espírito Marina Fidelis salienta que o princípio básico da vida é o espiritual. Em conteúdos trazidos pelo espírito Antonio Grimm, descreve-se que o “espírito dorme na pedra, respira nas plantas, movimenta-se nos animais e pensa no homem”. Fritjof Capra, em seu livro “O Ponto de Mutação”, descreve que a diversidade que a nós se apresenta, e da qual fazemos parte, é conseqüência de relações entre partes.

Analisando tais afirmações, porém evidentemente sem a pretensão de esclarecê-las por completo, desenvolve-se o raciocínio apresentado a seguir.

A partir de oito notas básicas é possível compor um enorme número de músicas. O que define cada música é a relação existente entre suas notas componentes, sendo esta relação definida por um compositor, um ser humano inteligente. Diferentes relações entre moléculas de água definem seus estados diversos: sólido, líquido e gasoso. Conforme exploramos a composição dos materiais chegamos às suas moléculas, e depois aos átomos que as compõe. Comparando átomos de diferentes elementos percebemos que são compostos pelas mesmas partes básicas, os elétrons, prótons e nêutrons. A diferença entre os diversos átomos apresenta-se na quantidade existente de cada parte, e na relação existente entre elas.

Ao compor uma música uma pessoa revelou um existente possível, utilizando a característica “inteligência”. Agora cabe perguntar o que, ou quem, torna existente a relação que caracteriza um átomo, ou uma molécula, ou uma célula, ou um composto, ou ainda um vegetal? Como sugestão de resposta tem-se: inteligências diversas, individuais, fazendo uso de leis universais (lei: relação entre a causa e seu efeito), atuando em cada uma destas fases, além de inúmeras outras intermediárias. No caso do vegetal, utilizando a afirmação do espírito Antonio Grimm, seria esta “inteligência individual” um espírito? E por que seria diferente com os demais estados que conhecemos da matéria? A afirmação de Antonio Grimm descreve: “o espírito dorme na pedra, respira nas plantas, movimenta-se nos animais e pensa no homem”. Como denominação para estes agrupamentos, compostos por partes menores relacionadas entre si de forma inteligente, adotaremos o termo sistema.

No ambiente ao nosso redor percebe-se uma escala contínua de sistemas definidos pela relação entre suas partes, indo do micro ao macro. O átomo, a molécula, a célula. E por que não prosseguir? Na direção macro tem-se o organismo vivo, o sistema social regional, o sistema social global, o sistema humano (ou a humanidade). Como exemplo de sistemas sociais podemos citar grupos culturais, grupos religiosos, grupos políticos, todos orientados por lideranças, ou inteligências, como Gandhi, Jesus Cristo, entre outros. Na direção micro tem-se o átomo, suas partes, e talvez ainda as partes destas, e assim por diante. Este desenvolvimento de idéias sugere pensar sobre os passos seguintes a “...pensar no homem”, e que talvez possa ser: organizar sistemas sociais complexos, da mesma forma que atualmente o espírito organiza um sistema vivo de alta complexidade, que é o corpo humano.

Como uma visão da trajetória evolutiva do espírito, pode-se supor que este organizará sistemas de vida cada vez mais complexos, compostos por partes ou sub-sistemas igualmente vivos, igualmente organizados em sua abrangência e complexidade por inteligências em evolução.

Até aqui este pensamento avalia a trajetória evolutiva do espírito como ser inteligente, considerando-o como organizador de sistemas do micro ao macro. Entretanto outros aspectos devem ser considerados: a origem do espírito e a existência de elementos a princípio inanimados (a matéria). Para prosseguir com o raciocínio nesta direção, utilizaremos outro conceito da Doutrina dos Espíritos, o qual caracteriza “Deus como causa primária de todas as coisas”, e também “justo”. A partir deste conceito é possível exercitar uma visão daí decorrente: igualdade absoluta no universo. Ou seja, igualdade de oportunidade tanto para seres animados quanto inanimados. Do contrário, qual critério determinaria quem ou o que é animado, e quem ou o que é inanimado, diante de uma origem única e justa?

Utilizando como exemplo um sistema social composto por um líder e um grupo de indivíduos, é natural que cada um destes evolua até alcançar o nível de desenvolvimento do líder. Esta idéia é coerente com o conceito de justiça descrito anteriormente. Transferindo-o para a visão de igualdade entre todas as coisas, pode-se supor que tudo evoluirá, passando por diversos estágios, dentre os quais o da inteligência, e quem sabe outros posteriores.

Nesta etapa do raciocínio falta a fundamentação em outras afirmações ou informações. Para continuar a desenvolvê-lo adotam-se as suposições de que ainda não se alcançou a menor parte possível do que vemos ou conhecemos, e que esta menor parte possa ser uma unidade universal com potencial evolutivo. Desta forma, do micro ao macro existiriam inteligências organizando sistemas, sendo cada sistema parte de um sistema maior organizado por uma inteligência mais evoluída, e assim por diante. A parte menor do menor sistema seria a própria unidade universal com potencial evolutivo; um espírito em seu estágio inicial de existência.

Esta última suposição aparentemente alinha-se com a afirmação do espírito Marina Fidelis, trazida no início deste artigo, a qual define o princípio básico da vida como sendo o espiritual.