I Nos embalos azuis das ondas do mar em Paranaguá, uma canção de ninar ouve-se da janela semi-aberta, na qual a tramela deixou o choro do bebê invadir fazendo sorrir as ondas do mar. II No décimo sexto dia, mês de fevereiro das entranhas de Gertrudes, nasce o poema de amor chamado Leocádio. III Embalado, amado, protegido, pelos braços do papai Manuel, o bebê se aquieta. O silêncio se faz. IV No silêncio do ser, no movimento dos ponteiros do relógio, na velha parede, o tic-tac da passagem das horas, o tempo passando, o menino Leocádio, em homem se transformando. V O homem que venceu o tempo, poema de amor, como antídoto contra todos os males. O homem singular, com múltiplas facetas: médico, ator, jornalista, escritor, deputado, trabalhador, incansável suaviza a dor de pobres e ricos. VI Contra a escravidão, lutou bravamente. Abolição e igualdade, desejou sinceramente. VII Seu coração bateu forte por Carmela. Enamorou-se por ela. Casaram-se, deixando três frutos da união: Clara, Leocádio, Lucídio. VIII Mas, uma febre maldosa adormeceu o poema no décimo oitavo dia de maio. Tristeza trouxe, em Paranaguá querida, saudades imensas, em toda a redondeza. IX O tempo não parou. Leocádio despertou. O poema surgiu em diversos lugares, ao sabor de novos ares. Estava presente no meio de tanta gente. Em Santa catarina e Paraná, em palácios e favelas, em presídios e hospitais. Por onde andou, marcas deixou. X Leocádio José Correia, poema concreto do exercício pleno de amor à humanidade. XI E o poema de amor continua...
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