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A razão sem a fé leva à loucura científica. A fé sem a razão leva à loucura religiosa. Brincadeiras a parte, a civilização ocidental atravessou dois grandes períodos em que o homem não pôde desenvolver plenamente o conhecimento por ter suprimido algum aspecto fundamental: na inquisição foi sufocada a razão e no período subseqüente, a fé. O Espiritismo, sendo um processo aberto, alia razão e fé para uma compreensão maior da vida.

No livro O Código Da Vinci, Dan Brown faz menções à “verdadeira” história de Jesus Cristo e Maria Madalena. Segundo essa história, Jesus foi um mortal e Maria Madalena sua companheira que, juntos, tiveram filhos. Sendo eles descendentes de famílias reais, Benjamin e Salomão - o rei dos Judeus - essa união ameaçava o Império Romano.

Percebendo a ascenção rápida do cristianismo e prevendo uma ruptura do Império, Constantino – imperador romano no século IV – resolveu decretar uma religião única para o seu povo, fundindo símbolos, datas e rituais pagãos com a tradição cristã, escrevendo a Bíblia na qual ocultou qualquer referência de Jesus como um ser humano comum, transformando-o numa divindade.

A palavra latina hereticus – ou herege que significa escolha - passou a designar aqueles que escolhiam seguir os evangelhos proibidos ao invés da versão oficial de Constantino. Esses textos proibidos foram caçados e queimados, restando alguns que permaneceram sob a proteção de sociedades secretas da qual Da Vinci fez parte.

Segundo o autor, as obras de Da Vinci contêm inúmeros símbolos que retratam essa “verdadeira” história, escondida sob o sorriso malicioso da Mona Lisa. Um desses símbolos é o Santo Graal, alegoricamente representado como um cálice, que caracteriza o antigo símbolo feminino - um “v” - e simboliza o útero e a importância da mulher para a humanidade, fato que os interesses paternalistas deram um jeito de obscurecer.

O interessante é que após seiscentos anos do final da inquisição, nossa sociedade ainda traz resquícios de comportamentos oriundos dessa fase histórica. Muitos, aterrorizados pela possibilidade de serem “queimados vivos”, aguardam passivos a chegada de um salvador e não assumem a responsabilidade pelo seu progresso moral.

Depois houve meio milênio de ascenção científica que separou o homem ocidental de sua fé. O método científico nasceu como um messias vindo para atender às súplicas de quem se estarrecia diante das atrocidades cometidas em nome de Deus. Mas a ânsia pelo resgate da lógica empurrou o pêndulo ao outro extremo. A especialização debruçou-se sobre si a ponto de perder a conexão com seus propósitos. Não se pode negar o benefício que a ciência trouxe para a humanidade, inclusive mostrando a incoerência da fé dissociada da razão e do censo crítico. Contudo, a ciência sem a fé tornou o homem insensível, um estranho em seu próprio meio, explorador impiedoso da natureza e este, prepotente, achou que poderia brincar de deus.

Se por um lado a fé cega escravisa pelo medo, a ciência cega escravisa pela falta de propósitos que nos façam transcender os objetivos ilusórios da matéria. É preciso uma base de conhecimentos que permita ao ser humano exercer o seu papel consciente de agente do social com senso crítico e experimentação científica, mas sem perder o contato com a sua essência espiritual.

Nas últimas décadas, o pensamento ocidental direcionou seus holofotes para tradições milenares orientais e encontrou uma fonte inesgotável de conhecimentos, muitos já comprovados pela própria ciência. Culturas indígenas vêm sendo estudadas pela sabedoria que sustentam e a ancestralidade começa a ter seu valor reconhecido.

Não se trata de descaracterizar o método científico nem de limitar o alcance religioso, mas de criar uma simbiose que permita transcender os seus limites ampliando o campo das hipóteses e criando uma prática religiosa sem dogmas ou crendices.

Com a proposta do autoconhecimento fundamentado em ciência, filosofia e religião, o Espiritismo traz uma roupagem cogente – racionalmente necessária - para a fé e se apresenta como uma alternativa viável para uma compreensão ampla da vida e do papel do ser humano na Terra.

Científico desde suas origens no século XIX, o Espiritismo mostra-se como um processo aberto ao questionamento permanente, flexível às evidências dos fatos e profundo na transcendência do psico-bio-dinâmico, orientando caminhos à essência do espírito que é o ator e o portador da cultura.

Paulo H. Rathunde

Revista Ser Espírita nº 30

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Novas Metáforas do Pensamento Espírita

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Antropologia Espírita

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